Toda transformação requer um pouco de morte

Há alguns meses atrás embarquei em uma jornada profunda de autoconhecimento e transformação pessoal centrada em Desenho Humano, trabalho de sombra, Técninca de Libertação Emocional (EFT), Gene Keys e Transformational Embodiment (ambos sem tradução para o português). Essas técnicas e metodologias também são a base do meu trabalho como Coach e mais pra frente pretendo explicar melhor cada uma ddelas. Este trabalho profundo envolve a cura de traumas passados, uma completa reestruturação das minhas crenças sobre mim mesma e uma abertura para novas possibilidades. O processo em si não é dos mais fáceis, afinal para que a transformação pessoal aconteça é necessário mergulhar a fundo em mim mesma e me reconciliar com partes minhas que eu escondi/ignorei por muito tempo: meus medos e traumas.

Pensando em minha própria transformação passei a ficar obcecada com o processo de transformação da lagarta para a borboleta. Lagartas passam por uma transformação muito difícil – elas param de comer, se penduram de cabeça pra baixo em um folha e criam seus casulos de seda. Uma vez dentro do casulo, a lagarta começa a digerir a si mesma. Isso mesmo – digerir a si mesma e dissolver todos os seus tecidos. Ela basicamente vira sopa de lagarta, e de lá, um grupo de células começa a se transformar em partes de borboleta. Dias depois uma borboleta emerge. 

Eu acho esse processo e seu simbolismo muito poderosos! Me faz pensar em como tenho me sentido ultimamente com todas as transformações que estão ocorrendo em minha vida. Eu não apenas comecei meu negócio do zero, mas também estou fazendo um trabalho interior extensivo, indo a lugares que me dão medo só de pensar e cutucando pra ver o que sai de lá. Alguns dias me sinto de cabeça pra baixo, outros me sinto como se estivesse me desintegrando e me tornando minha própria versão da sopa de lagarta. É difícil acreditar que algo vai nascer disso, ainda mais algo bonito (vou te contando o que acontece). 

O que acho inspirador na transformação da lagarta é que ela não questiona o que está acontecendo. Ela não fica com medo de começar o processo e tenho certeza que ela não passa tempo algum se preocupando se ela vai conseguir, que tipo de borboleta ela vai se tornar, nem quantas pessoas vão achá-la bonita. 

Nós humanos nos consumimos com esse tipo de questionamento porque temos cérebros complexos que nos permitem questionar a nós mesmas e imaginar cenários diferentes. Quando nos deparamos com a possibilidade da mudança geralmente decidimos deixá-la passar e continuamos bem onde estamos, onde nos é familiar e sabemos o que esperar. Deixamos nossos medos e inseguranças controlarem nossas decisões porque ficamos tão apavoradas daquilo que não conhecemos. Temos essa capacidade incrível de imaginar e criar o inimaginável mas geralmente ficamos com muito medo de nos desintegrarmos e nos perdermos no processo. Toda transformação requer um pouco de morte. Para a lagarta deixar de rastejar e criar asas ela precisa se desprender de sua antiga identidade, se deixar desintegrar quase totalmente. Lagartas na verdade são larvas de borboletas. Elas não foram feitas pra serem lagartas por muito tempo, seu destino é se transformar ou em borboleta ou em mariposa. 

Da mesma forma, não fomos feitas pra vivermos vidas medíocres, fomos todas feitas pra brilhar do nosso jeito único. Temos muito mais opções do que a lagarta, que pode se transformar em uma coisa ou outra apenas. Mas para atingir o excepcional precisamos deixar partes nossas morrerem ao longo do caminho, e tudo bem. Não estamos nos perdendo no caminho, estamos apenas nos livrando de camadas que não nos servem mais.

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