O poder da leitura

Hello again!

image-template06-power-reading

The Power of Reading (O Poder da Leitura) – este é o nome do livro que estou lendo agora. O autor é um dos meus linguistas favoritos: Stephen Krashen. Eu poderia fazer inúmeros posts sobre suas ideias (e provavelmente eu farei) mas hoje eu gostaria de explorar um tópico específico: a leitura.

Tenho pesquisado muito sobre esse tema ultimamente, em primeiro lugar porque eu sempre amei ler e acredito que a leitura é uma parte essencial na vida e no aprendizado de todas as pessoas – e em segundo lugar porque estou criando um projeto de leitura para os meus alunos.

E lendo sobre as ideias de Stephen Krashen sobre a leitura eu me lembrei de uma palestra com Neil Gaiman (um dos meus escritores favoritos) chamada “Why our future depends on libraries, reading and daydreaming.” (“Por que nosso futuro depende de bibliotecas, leitura e sonhar acordado” – tradução minha). Os dois compartilham uma visão sobre o universo dos livros: a de que as pessoas devem ler por prazer.

Segundo Krashen, a maior parte do nosso vocabulário e do nosso encontro com estruturas gramaticais complexas vem da leitura e ele cita diversos estudos feitos na área que comprovam que crianças e adolescentes que leem tem melhor rendimento na escola. Mas não estamos falando de qualquer tipo de leitura. Não é aquela leitura seguida de perguntas de interpretação ou qualquer outra tarefa e sim da leitura por prazer, sem questionários no final, sem contar tempo e sem nota. De acordo com Krashen a melhor forma de leitura é a Free Voluntary Reading (Leitura Livre e Voluntária), em que a pessoa escolhe o livro que vai ler porque se interessa pelo tema e tem a liberdade de parar de ler e escolher outro livro se não estiver gostando.  Esse é um conceito diferente do existente na maioria das escolas brasileiras.

Lembro que quando eu estava na escola precisava ler livros chatíssimos, que não me interessavam num um pouco para passar na prova ou no vestibular. Por sorte eu sempre tive muitos outros livros à minha volta pois meu pai sempre foi apaixonado pela leitura e incentivou esse hábito desde a minha infância. Eu lembro que se eu ou meu irmão pedíssemos algum brinquedo, eletrônicos , jogos de video game, só ganharíamos no dia do nosso aniversário ou no Natal, mas livros podíamos pedir em qualquer época que sempre ganharíamos. E eu podia ler livros sobre qualquer assunto.

Em sua palestra, Neil Gaiman diz que os livros tem de estar disponíveis; que as bibliotecas tem que ser acessíveis para todos e que não existem maus livros para crianças. As crianças devem poder escolher o livro que querem ler, esse livre arbítrio na escolha do livro é muito importante para o desenvolvimento da paixão pela leitura.

Krashen fala sobre um estudo em que um grupo de alunos treinou leitura voluntária durante 15 minutos por dia – os alunos escolhiam o que iam ler nesse tempo e o professor também lia algo que queria e um outro grupo de alunos treinou os tradicionais exercícios de compreensão de textos dos livros didáticos durante 15 minutos diários. No final do estudo todos os alunos fizeram testes de vocabulário e compreensão de texto e nos piores resultados o grupo de leitura voluntária conseguiu o mesmo resultado do grupo que treinou exercícios tradicionais. A questão é: se os dois grupos conseguiram os mesmos resultados nos testes, por que não incentivar a leitura voluntária? Ela é mais simples para os alunos, para o professor e desenvolve outras habilidades como criatividade, empatia, senso crítico, etc, etc, etc.

Outro ponto de convergência entre os dois autores diz respeito às bibliotecas. Elas são essenciais na formação de uma sociedade leitora, desde a biblioteca da escola até a biblioteca municipal, pois é lá que as pessoas tem maior acesso aos livros.

Agora vamos trazer essas informações pra realidade brasileira. Já ouvi inúmeras vezes a frase “Eu não gosto de ler” e todas as vezes eu pensei que havia alguma coisa errada – com a pessoa, com a sociedade e com o mundo – afinal, para mim, ler é uma coisa natural. É como ouvir. Nunca ouvi ninguém dizendo que não gosta de ouvir. E eu sempre achei – e continuo achando – que a pessoa que diz que não gosta de ler nunca teve contato com um livro que a interessasse. Tudo bem não gostar de ler jornal ou best sellers ou livros de auto ajuda, mas existem livros sobre tudo, absolutamente TUDO e com certeza por alguma coisa (qualquer coisa) todas as pessoas se interessam.

Mas é como os estudos de Gaiman e Krashen apontam: a paixão pela leitura pode ser assassinada logo na infância se não tivermos liberdade e opções de escolha. E como no Brasil a educação vai de mal a pior e o hábito da leitura nunca foi incentivado (salvo em algumas escolas particulares mais modernas) dá pra entender porque tanta gente diz que não gosta de ler e porque a porcentagem de brasileiros que tem um bom nível de Inglês é tão baixo. Afinal, a leitura também é extremamente importante no aprendizado de uma nova língua.  É bem simples na verdade e a internet facilita ainda mais. São inúmeros sites de jornais, revistas, artigos e blogs sobre os mais variados assuntos. Não existem atalhos ou fórmulas mágicas, mas é preciso dedicação.

Algumas indicações de sites legais pra ler em Inglês:

New York Times

The Guardian

British Council – Magazine (vários níveis) (Teens)

British Council – Magazine (vários níveis)

Quem se interessar e quiser ler algum assunto mais específico pode entrar em comigo e eu envio mais referências !

Camila

 

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: